Mindfulness não estimula passividade

Escrito por Dr. Caio Magno

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Mindfulness não estimula passividade. Entenda sobre esse engano.

Engano sobre mindfulness

Já conversei com algumas pessoas, desde profissionais a pacientes, e muito se fala que um dos problemas das abordagens baseadas em mindfulness, aceitação, modo ser ou simplesmente estar presente, é  estimular passividade, inércia, falta de iniciativa.
É um erro de entendimento e talvez mais um aspecto do modo mente (modo fazer) em ação quando alguém traz essa dúvida.  As abordagens baseadas em mindfulness focam na prática de um estado de consciência caracterizado por prestar atenção de modo intencional e com atitude aberta, curiosa e sem julgamento. Olhando isso de fora dá para perceber como é fácil imaginar que esse estado de não julgamento é passividade. “Mas eu preciso resolver minhas questões. E se o que eu estou pensando é verdade, eu só vou notar? Para eu saber o que fazer, preciso me ater a isso com dedicação e esforço. Preciso analisar até descobrir como agir. Observar o que se passa dentro de mim não vai me ajudar a agir. Não me trará respostas. Eu preciso me esforçar para alcançar isso. Eu necessito ação”.

Agir incansavelmente

Percebem qual é a natureza dos pensamentos acima? Por trás deles existe a ideia de que é necessário agir incansavelmente em direção a algo a ser resolvido, um objetivo futuro ou uma meta a ser alcançada. Essa forma de enxergar a vida se atrita quando alguém diz: “observe seus pensamentos, o que sente, não julgue, não se preocupe com valor, se é certo ou errado”. A mente da pessoa grita: “eu preciso fazer algo. Observar não vai me ajudar em nada”.

Percebam a falha do raciocínio? Vamos repassá-lo:


Eu preciso resolver algo e para tanto é necessário que me debruce nisso.
Quando me debruço sobre algo, traço ações que resolvem o problema.
Observar sem julgar significa não fazer nada (aqui está o erro).

Promoção de mundanças

Quem trabalha com abordagens voltadas para o momento presente, (abordagens de mindfulness), passa boa parte do tempo promovendo mudanças, traçando metas e indo em busca delas, mas, antes disso, reconhece todo espectro do que está acontecendo fora  e dentro do corpo (emoções, pensamentos, memórias, imagens). A pessoa deixa o diálogo interno da mente por vários momentos, e se conecta com o aspecto  que nomeamos de modo ser ou estado de consciência. Nesse estado, sem o controle do ego ou da mente, pode surgir ideia, intuição, lampejos, satisfação, liberdade, paz e conexão com valores pessoais.

A ideia é acessar o estado de consciência mindful de maneira frequente, entrando em contato com essa fonte. Transitar entre o fazer e ser, entre a mente e o estado de consciência presente, não tem nada de passividade, muito pelo contrário é extremamente ativo e promove grandes mudanças.

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