Espiral Descedente

Escrito por Dr. Caio Magno

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Do ponto de vista da ciência cognitiva, um dos ramos do conhecimento que estuda o comportamento humano, a pessoa adoece a partir da forma como ela enxerga uma vivência estressante.

É comum e esperado, o questionamento sobre a origem dos problemas emocionais, e dentre eles, da depressão. O curioso é que apesar de a ciência médica e psicológica terem avançado muito nos porquês desses estados aflitivos, ainda não se sabe ao certo como traduzir tais fenômenos em explicações abrangentes e completas.

Antes de me ater brevemente sobre o que seria a espiral descendente, um conceito da psicologia cognitiva que busca explicar o desenvolvimento da depressão, vou fazer algumas considerações sobre elementos já bem embasados dos modelos de adoecimento.

A ciência médica evoluiu ao longo dos anos, e com a comunicação entre ramos do conhecimento distintos, hoje em dia se sabe que existe uma comunhão de fatores que interagem entre si e resultam no desenvolvimento dos problemas emocionais.

De modo simples, nós seres humanos possuímos uma carga genética que pode ou não favorecer o desenvolvimento de doenças a depender de como esses genes se expressam ao longo de nossas vidas. Uma maior vulnerabilidade genética, que pode ser observada por exemplo em famílias com muitos antecedentes de quadros de depressão, por si só, não é determinante para o desenvolvimento do adoecimento. Há ainda a necessidade de um meio que favoreça a expressão  desse conteúdo trazido desde o nascimento.

Ao longo da vida, passamos por diversas vivências de aprendizados de conceitos sobre nós mesmos, o mundo, as pessoas, questões culturais e valores. Também construímos habilidades e competências importantes para o manejo da vida do dia a dia, de problemas, crises, questões emocionais e afetivas.

Até o momento o que temos? Existe uma carga genética que interage com o meio, ou seja, que ao longo de nossas vidas, a depender das experiências pode ou não se expressar. E  outro elemento é o desenvolvimento de conceitos e competências que utilizamos para interagir de maneira bem sucedida com as nossas vidas.

E o adoecimento, como acontece?

Como disse no início desse texto, vários ramos do conhecimento conversam entre si para explicar o desenvolvimento dos problemas emocionais. Um outro elemento é o surgimento de um fator de estresse nas nossas vidas. Diante dele iremos por em prática as habilidades e conceitos que construímos no passado com o objetivo de trazer uma resolução seja prática ou interna. A nossa biologia em conjunto com a genética também estarão presentes nessa vivência estressante. Se obtivermos sucesso pela comunicação desses fatores a crise passa e o bem estar é recuperado, do contrário se instala um problema emocional.

E que seria a espiral descedente?

Do ponto de vista da ciência cognitiva, um dos ramos do conhecimento que estuda o comportamento humano, a pessoa adoece a partir da forma como ela enxerga uma vivência estressante. Torna a produzir pensamentos que não tem conexão com a realidade particular da pessoa, pensamentos negativos, depreciativos como: “eu sou um fracasso, não consigo, não tenho energia para isso, minha vida mudou e não será mais como antes, não sou capaz de lidar com esse problema”. A partir dessa experiência surge o humor depressivo, ou seja uma vivência angustiante, de sofrimento interno. Tanto o estado emocional, quando os pensamentos se alimentam um do outro e a pessoa passa a adotar comportamentos evitativos como ficar mais em casa, deixar de encontrar amigos, evitar conversar sobre seus problemas, deixar de praticar atividade física, não fazer atividades profissionais, negligenciar o lazer, entre outros. O resultado é gerar mais humor depressivo e tornar a realidade da pessoa próxima dos seus pensamentos.

Pasmém, começa com um estresse, cresce com pensamentos e emoções negativos, amadurece com um empobrecimento da vitalidade que a vida possuía e tudo isso vai reforçando o estado emocional e construindo essa realidade que antes estava só no mundo interno. Seria um efeito bola de neve ou espiral descendente. Um círculo vicioso que gera cada vez mais depressão.

É evidente que a ciência cognitiva é um dos atores que buscam construir modelos que expliquem e que possam ser utilizados para tratar a depressão, entretanto existem outros e vou falar brevemente sobre um modelo que acredito que se comunica com tratado acima. Neste momento vou incluir aspectos de uma terapia de terceira geração ( sobre isso farei outro texto), a terapia de aceitação e compromisso, discorrendo um pouco sobre o conceito da evitação experiencial e de como isso além de produzir sofrimento, leva a uma perda de vitalidade da vida.

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